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09 outubro 2017

QUANDO O CLOSE NÃO VALE À PENA – TEM HORAS QUE É PRECISO IR EMBORA

17:30
Primeiramente... (você sabe o que, hahaha)

Para posts reflexivos como esse, gosto sempre de colocar uma playlist especial e a de hoje é uma que eu estou apaixonada, chamada “Friozinho”, do Spotify. Você pode ouvir clicando aqui 

Bem, vamos ao cerne da questão...
Tenho observado nessas andanças proporcionadas tanto pelo Preta Mesmo quanto pelos outros trabalhos relacionados à comunicação o quanto as pessoas, e eu me incluo totalmente, não tem se valorizado o quanto devem. Não, não vou chover no molhado e dizer que você precisa se valorizar para aumentar a suas chances com o crush, mas a minha crítica é sobre como nós entregamos a situações que não valem à pena, que não nos acrescentam e muito menos nos engrandecem. É sobre o quanto nós deixamos de agir da forma que queremos para preencher o anseio de outras pessoas.




As redes sociais chegaram, modificaram a nossa forma de nos relacionarmos enquanto sociedade e todas elas nos proporcionaram enormes avanços, mas, ao mesmo tempo, trouxeram a cultura da exposição pela exposição. Se não tomarmos cuidado, nos sentiremos pressionados a ter uma opinião formada sobre tudo e que ainda por cima seja satisfatória aos olhos e ouvidos do nosso ciclo social. Isso tudo não se torna algo pensado demais para se carregar, não?
O filme NERVE, da Netflix, retrata bem o que eu quero dizer. Ele mostra como as pessoas podem ser manipuladas apenas pelo fato de se tornarem ‘importantes’ na internet. Ele é um print do nosso futuro próximo.



E por falar em máscaras... quantos de nós, blogueirinhos, produtores de conteúdo ou só pessoas com CPF mesmo, criamos um personagem para encarar a chuva de likes e a ânsia de compartilhamentos? Quantos de nós mudamos a nossa forma de agir para atendermos às expectativas da nossa audiência? Quantos de nós passamos por situações extremamente desagradáveis nos bastidores da foto/vídeo para poder nos mostrarmos influentes ao lado de alguém? Tenho tido cada dia mais certeza de que muito pouca gente, pra não dizer quase ninguém, se importa de verdade com os seus sentimentos, nossas dores e nossas necessidades. E aqui eu estou sendo o mais realista possível. Entenda, flor... Você não é obrigada a nada e está tudo bem. E. Está. Tudo. Bem.



Quer fazer surra de post na timeline? Faça, minha linda... mas que sejam de coisas que vem de dentro, que encha o seu peito de alegria ou que simplesmente te provoque alguma emoção, por mais singela que seja. Que a gente não viva a vida correndo atrás do vento, estando forçado não-se-sabe-por-quem a estar ao lado de alguém que não suportamos apenas para garantir algumas dezenas de likes no Instagram.

As fotos que ilustram o post são de Danillo França e foram feitas de forma totalmente despretensiosa durante uma pauta para o órgão que trabalho. Sem make e sem máscaras.
Se libera, nega!
Um beijo,
Bella.

06 setembro 2017

ENTREVISTA: VOCÊ PRECISA CONHECER ANNA TRÉA E A TURNÊ #MECLAREIA

10:13
Dia desses estava eu navegando pela rede internacional de computadores e uma pessoa linda me mandou um link para que eu conhecesse o trabalho que uma preta maravilhosa, A Anna Tréa. Anna é multi instrumentista, canta demais e tem um som lindamente diferentão. Backing vocal de Emicida, a bonita está em turnê pelo Brasil inteirinho com o show #MeClareia. Vamos saber mais sobre essa maravilhosa?
Foto: Bianca Kida

PRETA MESMO:  Quando foi que você descobriu a música e qual o momento do start de que era aquilo que você queria fazer da vida?
ANNA TRÉA: Eu não conheço a minha vida sem música, é um registro desde muito cedo. O que as fotos de família me lembram é que meu segundo bolo de aniversário era um microfone e tenho fotos de muito pequenininha com o microfone cantando e  dançando, sempre estive ligada à música e à arte, tocando, dançando, batucando e criando.  Desde que eu comecei a tocar violão eu já criava coisas, eu já pesquisava os instrumentos e na real era isso que eu queria fazer. Tentei pensar em outras possibilidades e tudo mais, mas sempre soube que esse era meu grande lance, não foi um momento de um start, foi um movimento natural.

PM: Existe preconceito na cena musical para o pop experimental afro?
AT: Eu não acho, eu não olho para a música com esses olhos. Eu acho que às vezes rola uma dificuldade de compreender que um show que é feito ou solo ou em duo, ele pode ser pulsante, ele pode ser dançante, ele pode ter refrões, ele pode realmente levantar a galera e o receio das pessoas de investirem nessa ideia, mas acho que isso vai sendo provado conforme a gente tá na rua, conforme vão aparecendo projetos corajosos, pessoas que topam, pagar pra ver.




PM: O seu show além da apresentação musical em si pode conter outras interferências multiculturais. Como funciona isso?
AT: Sou uma pessoa muito apaixonada por arte, muito entregue e eu sinto uma necessidade muito grande de estar o tempo todo mergulhada nisso, não consigo enxergar a linha que separa a música da dança, a dança das artes visuais, as artes visuais do teatro, o teatro da expressão corporal, da performance, para mim está tudo muito junto, então o processo de você ter um show que abriga, que contempla, essa mistura, essa união  de segmentos que em tese são separados, é um grande presente que eu me dou enquanto artista, a ideia é que as pessoas interfiram nesse show.
Foto: Bianca Kida

PM: Quais são suas referências?
AT: Falar sobre referências sempre dá uma zerada na cabeça, porque tudo é referência, quando vc está aberta pra ser afetada e eu que sou uma pessoa completamente aberta pra arte acabo absorvendo e me envolvendo com todo tipo de arte, de todo tipo de pessoa de todo tipo de artista. Então eu sou uma pessoa que se emociona muito com a parte rítmica por exemplo, então eu escuto muitos percussionista e bateristas, Nanah Vasconcelos, Simone Soul são grandes referências, escuto muitos baixistas também, eu tenho o Richard Bonnar como uma referência muito antiga que toca baixo e canta, cria suas  próprias canções e tem um estilo particular, Abe Laboriel que é um cara super rigoroso no palco e além de tocar lindamente ele é muito entregue, ele pula, ele se joga, ele corre, ele grita e isso pra mim é muito importante que a pessoa bote tudo pra fora, tenho como grandes referências Romero Lumbambo, Toninho Borta, Simone Guimarães que escreve coisas lindas e faz melodias muito bonitas. De tocar e cantar suas próprias canções: Djavan, Lenine, Gilberto Gil, Roberto Mendes, Sou muito fã da  Joyce, sou muito fã da Rosa Passos , enfim.. um time de mulheres incrível que eu acompanho, Clementina de Jesus, Zélia Duncan, Rita Lee que é uma grande referência de musicalidade e ela diz coisas muito interessantes também.

PM: O que o público pode esperar da turnê #MeClareia?
AT: O show é surpreendente, naturalmente surpreendente, inclusive para mim, então acho que a gente já parte desse pressuposto, mas acho que mais do que esperar do show, eu acho que a #meclareia é um convite às pessoas irem de peito aberto para contribuir, de estar completo, de estar inteiro ali, ainda que não sejam pessoas artistas, pessoas que vão contribuir diretamente, ou seja, no palco, é uma turnê para a gente está junto, é um show pra gente fazer acontecer junto e acho que isso é uma coisa muito linda, uma característica muito bonita do show, porque é um show feito por nós e para nós.
OV: Após a turnê, quais são os seus outros objetivos na carreira?
AT: A ideia é sempre continuar criando, é estar mergulhada em arte, é conseguir explorar essas ditas individualidades, conseguir explorar a música, a dança, o teatro, o cinema. É estar em ação o tempo todo, claro que o objetivo prático é o segundo disco, é a segunda turnê, são as novas conexões, outras participações, é também conseguir trabalhar em projetos paralelos, me conectar com artistas que eu admiro, artistas afins, ou seja, que a gente  gosta das mesmas coisas, que a gente tenha vontade de criar coisas juntos e continuar. "A minha vida é isso, esse é meu ar e eu quero respirar".

25 julho 2017

SEU CORPO É POESIA | ENSAIO ESPECIAL DIA DA MULHER NEGRA

09:21
Somos um espírito, temos uma alma e habitamos em um corpo. Aprendi isso desde pequena e, desde pequena sou confrontada com outras meias verdades. Verdades de homens que não entendiam o corpo das mulheres como propriedades particulares e, por não aceitarem isso, os consideravam extensão de seus territórios. Como uma fazenda ou casa na praia, talvez. Quem sabe até aquele terreno maravilhoso onde o pôr do sol é especial.
Apesar de lindos em qualquer forma de apresentação, os nossos corpos são públicos, são tão nossos quanto nossos ideais. São tão nossos e tão únicos! O número de mulheres agredidas física e sexualmente no Brasil aumenta a cada ano e isso se dá principalmente pela sensação de territorialidade que as outras pessoas têm a nosso respeito.  E quando falamos de mulheres negras essa sensação torna-se certeza. Seriam direitos adquiridos da escravidão? Comigo não, violão. E espero, de verdade, que com você também não aconteça isso, menina/mulher preta.
Ocupe o seu corpo, faça dele bandeira hasteada da sua liberdade. Você e suas formas são poemas lindíssimos, e a autorização para a leitura está sobre sua tutela...

Espero, de todo o coração, que esse post tenha feito você refelir.
Um beijo, 
Bella.

Fotos: Amanda Cardoso

@pretamesmoblog

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