24 agosto 2015

VOCÊ PRECISA MOSTRAR ESSAS IMAGENS AOS SEUS FILHOS

Essa semana eu estava lembrando, quando era criança, como era difícil encontrar alguma boneca para chamar de filha. Sabe, sempre que ia ao supermercado ou loja de brinquedos nunca imaginava aquelas bonecas – tipo bebê gigante - como minhas meninas, elas não se pareciam em nada comigo. Quando olhava na televisão, não via nenhuma menina com o meu cabelo, minha pele e meu nariz, exceto a Pata, de Chiquititas.

Eu não sabia o nome, mas o que eu sentia falta era de representatividade, de ver a minha etnia representada na grande mídia. Apesar de ter um monte de gente da minha família, na minha rua e entre os amigos dos meus pais iguais a mim, porque não apareciam pessoas iguais a nós na TV? 

Porque não tinha gente, pretinha que nem a gente, ocupando cargos de destaque na sociedade ou sendo admirado por aí? Foi aí que descobri que se eu quisesse me sentir representada deveria olhar a minha volta, ver como minha mãe penteava o meu cabelo com esmero e dizia que ele era lindo – mesmo quando eu ficava com a cabeça doendo de tantos repuxos.

Aprendi criança, ainda sem saber o nome, que a minha representatividade estava nas ruas. Mas isso foi lá pro meio dos anos 90, será que ainda podemos dizer que a representatividade do negro está somente nas ruas? Quem são os heróis das nossas crianças, quem são os personagens que permeiam o imaginário delas?

Foi pensando nisso que o Projeto Raízes  produziu um ensaio fotográfico para mostrar uma nova proposta dos personagens já conhecidos por todos nós. Já parou pra pensar como seria a Mulher Maravilha Negra? E a Cinderela? Como será que seria se a Branca de Neve fosse, de repente, Pretinha de Neve?  Veja aqui o resultado:






Branca de Neve | Foto:  Projeto Raízes

Cinderela | Foto:  Projeto Raízes




Mulher Maravilha| Foto:  Projeto Raízes
     

Maria e o menino Jesus | Foto:  Projeto Raízes


Paquitas| Foto:  Projeto Raízes


Se aquela Izabella de cinco anos tivesse conhecido esses personagens que eu acabei de mostrar, ela abriria um sorriso e diria: “Agora sim, tem gente igual a mim na TV. Olha, mainha! Vem ver! Que linda que essa Mulher Maravilha é! Olha, mainha, o cabelo dela é igual ao meu”. É esse o ponto. Fazer com que as nossas crianças se vejam nos personagens que admiram e que cresçam com a consciência de que se pode existir uma Paquita branquinha e de cabelo liso, pode existir uma negra, uma oriental, uma indígena. Que essa é a beleza da nossa cultura, a diversidade.
Alguns anos depois minha mãe chegou em casa com uma caixa embrulhada bem bonita e disse que era uma surpresa pra mim. Rasguei o papel rapidinho e quando vi aquela boneca negra, com o meu nariz e minha boca, não tive dúvidas. Era a minha filha que eu tanto queria, era a Tarsila. Como expliquei no início do texto, ainda não sabia o nome do que estava sentindo, mas senti felicidade por ter em minhas mãos um brinquedo que me representava.


Mostre essas imagens às crianças que você tem acesso, mostre essas imagens e diga pra elas que essas também são Paquitas, Cinderela, Branca de Neve e Maria, a mãe de Jesus. Diga às suas crianças que se elas quiserem, também podem ser grandes como esses personagens das fotos, também podem ser admirados e queridos. Diga às nossas crianças que independentemente da cor da pele esse mundo tá aí, todinho pra elas.

Um beijo,
Bella. 

4 comentários:

  1. Nossa!!! Que imagens lindas!!! Super me emocionei aqui, primeiro que ainda não conhecia esse projeto e segundo porque encontrei um blog com os mesmos princípios que o meu!!! Nossa!!! Muita emoção para um dia só!!! Parabéns pelo blog, pelo trabalho, pelo post, aliás pelos posts!!! http://www.minhanegracor.com

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    1. Quando eu a vi fiquei apaixonada também! Fico feliz que você tenha gostado, meu bem. Obrigada, mil vezes obrigada. Vou fuçar seu blog agora mesmo e quem sabe não podem rolar super parcerias, hein? :D Bom dia :)

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Oi Izabella, td bem?
    O meu nome é Erika e eu achei bem legal a sua iniciativa de falar sobre representatividade e usar o projeto Identidade como exemplo.
    Representatividade significa identidade.
    Todas nós passamos por isso: essa esmagadora representatividade branca que nos faz parecer invisíveis.
    Para uma criança então né? Minha família foi muito importante nesse processo também, percebi que não devo me comparar á outras raças porque eu sou negra, sempre vou ser e isso não é defeito, é mais uma característica minha.
    Aprendi á apreciar a minha beleza de acordo com as minhas características, ou seja, olhando para mim, para minha mãe, minha irmã, minhas primas, minhas tias, minhas amigas... isso é identidade.
    Somos cidadãos, somos consumidores e também merecemos ser representados.
    Não devemos tentar suprimir nossas caraterísticas pelas de outras raças. São elas que nos fazem únicas.
    Negro é lindo!
    Ah, só uma dica: conheço o projeto que você citou e ele se chama Identidade e não raízes.
    Bj.

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