15 novembro 2015

AMOR PRÓPRIO: PRIMEIRO EU. SEGUNDO EU. TERCEIRO EU. E DE NOVO.

Depois de muuuuuito tempo longe, olha eu aqui de novo, hein? :PComo quem acompanha o blog já sabe, a seção “Raiz Forte” tem como principal objetivo falar sobre os desafios, as conquistas, as coisas divertidas e as nem tão divertidas assim que nos acontecem quando em período de transição. Pois bem: depois de falarmos sobre alguns temas pertinentes, como a decisão de passar por esse processo, ou sobre como grupos de “apoio” são importantes nesse momento, decidi conversar um pouquinho com vocês sobre como o amor próprio é um ingrediente fundamental deste momento que é, admitam, só nosso.


Vamos lá? ;)
Eu estou em transição há um ano e 3 meses, mais ou menos, e de lá para cá eu já ouvi de tudo nessa vida. Tudo mesmo. No começo, enquanto os cachinhos ainda não apareciam direito, eu passei pela fase do “vamos na raça”, então. Quando eu decidi meu primeiro grande corte, e tirei mais da metade da química do meu cabelo, eu passei pra fase do “será que vão me criticar” e comecei a, de fato, me sentir insegura com a minha decisão. 
Confesso que, depois que me acostumei com meu “novo eu” e comecei a entrar em grupos de discussão do tema, eu me fortaleci MUITO. E aí, em maio deste ano, eu tirei mais um pedação de química do cabelinho e tô quase (quase!) toda natural mesmo. 
Via Tamanho Vistoriado

E aí, depois que enfiiiiiim eu comecei a me gostar com meu cabelo mega curtinho, volumoso e quase todo cacheado, veio mais um balde de água fria. Um colega, “despretensiosamente”, me disse que estava olhando fotos antigas minhas e que eu ficava “muito melhor” de cabelo liso. Que eu ficava mais bonita. Que eu estava melhor antes.
Captaram a mensagem?
Se isso tivesse me acontecido em outubro de 2014, eu certamente teria ligado pra minha cabeleireira marcar minha progressiva pro fim de semana mais próximo. Como isso aconteceu em outubro de 2015, depois de todo esse processo de autoaceitação pelo qual eu estou passando, eu simplesmente resolvi ignorar o comentário e seguir em frente. Mas, internamente, comecei a questionar muitas e muitas coisas a respeito disso, a exemplo de:
1-    O que dá às pessoas o sentimento de acharem que podem, por direito, julgar como o SEU EU está/estava melhor?
2-    que se passa na cabeça de um ser humano ao achar que precisa dizer isso a você?
3-    Será que comentários desse tipo são, de fato, tão despretensiosos assim?
4-    Concordam comigo que ninguém precisa nos achar bonitas, mas também não precisam (por empatia, que seja) esboçar qualquer comentário que seja de crítica ou, no mínimo, de negatividade sobre quem somos ou como estamos?

Carol Rosset

Minhas flores, eu, depois de muito me questionar, cheguei à conclusão de que não importa qual a motivação dele ou de qualquer outra pessoa que nos desestimule, critique e etc. Nada, NADA, lhes dá o direito de opinar em quem somos ou como devemos ser para “sermos aceitas pelos padrões de beleza alheios”. Eu digo e mentalizo isso sempre: se você não tem algo de bom para dizer, não diga. Simples assim.
Passamos por podas, avaliações diárias, que não merecemos, diga-se de passagem. Então por que, em vez de ficar caladas, as pessoas insistem em nos desestimular? Por que ainda somos vítimas de um racismo e de estereótipos enraizados muito mais fundo do que podemos imaginar, irmãs.
Hoje, 15 meses de transição depois, eu tenho consciência disso e prefiro acreditar que para cada comentário maldoso, pessoa sem noção ou racistazinho que nos fala, eu tenho ao meu lado um homem ou uma mulher que encontraram forças para assumir suas raízes e mostrar ao mundo que a gente É bonito/normal/atraente/perfeito como somos. Que a gente merece ser feliz como desejamos ser: com cabelo liso, crespo, cacheado, azul, rosa, black power, em tons de arco-íris. Como quisermos. E, acima de tudo, como nos sentirmos bem.
Bárbara Oliva

Eu tenho um cabelo curto, volumoso, em transição. E estou bem assim. E me sinto linda assim. Por que, então, valorizar mais a maldade intrínseca no comentário do outro do que o meu próprio sentimento? Sejamos fortes, irmãs, e procuremos apoio umas nas outras. Mas, antes de tudo, em nós mesmas. Não espere que eu, sua vizinha, sua mãe ou seu (sua) namorado (a) diga que você é linda assim, como desejou ser. Sinta-se linda. Vista-se linda. Olhe-se linda. Amor próprio, como eu disse, é pilar primário desse processo. Vamos exercitar, então?
Estamos juntas nessa também, minha flor. Mas sem você, a gente não consegue. Ame-se, e mande o preconceito – travestido de opinião alheia – à merda. Ame-se.

Beijos,
Babi

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