18 novembro 2015

MUITO ALÉM DO CORTE - A TRANSIÇÃO DE MÁRCIA PACHECO

Márcia Pacheco é uma jornalista e blogueira sergipana. Ela é dona da Casa de Paetê, que é um dos espaços mais lindos da blogosfera das bandas de cá. Marcinha alisou os cabelos durante 15 anos e um dia, meio que sem querer, descobriu que o cabelo natural era uma (linda!) possibilidade! O resto da história ela que conta pra vocês. (:



Transição
Eu comecei a transição meio sem me dar conta. Eu alisava o cabelo há uns 15 anos. Nesse tempo, usei diversos tipos de química até encontrar a que dava o efeito liso que eu amava no cabelo. Então fazia o alisamento sempre com o mesmo profissional, a mesma química, o mesmo lugar. Morrendo de medo de experimentar algo diferente e voltar a ter o cabelo fraco, quebrado, sem vida. Foi então que mudei de Aracaju para Bagé, no Rio Grande do Sul, onde moro atualmente. E fiquei perdida. Não encontrava por aqui a mesma química que usava em Aracaju e nem algum salão que me desse a segurança para fazer o alisamento. Resolvi esperar a próxima ida à Aracaju para alisar e o tempo foi passando. Passaram os primeiros seis meses e aí eu fui me dando conta da estrutura do meu cabelo. Eu alisava religiosamente de três em três meses. Como se fosse corrigir um defeito, sabe? Era uma coisa mecânica. E depois desse tempo, eu comecei a pensar: e se eu parar de alisar?! E comecei a pesquisar meninas em transição. A procurar referência de mulheres com cabelo crespo. A aprender a cuidar do meu cabelo natural. E decidi finalmente parar de alisar. 


Até o Big Chop
Então, quando decidi que era transição, já tinha seis meses de cabelo natural crescidos. Nesse período, eu fazia escova, até porque não tinha me dado conta que minha decisão era não alisar mais. Depois de um ano sem química, comecei a testar texturizações e resolvi parar com escova e secador. Com um ano e dois meses, fiz o primeiro corte. Dessa vez, não tirei toda a química. Digamos que tirei 60% do cabelo alisado. Deixei só a parte da frente com um pouco mais de liso. Foi conselho do cabeleireiro, para que eu fosse me acostumando aos poucos. Três meses depois, eu enchi o saco e cortei, eu mesma, em casa, o resto do cabelo alisado. Então digamos que minha transição demorou 1 ano e meio, mais ou menos.

Cabelo natural
O big chop foi a melhor coisa que eu fiz. Demorei um tempo pra me reconhecer no espelho. É uma mudança muito grande. Durante a transição, o cabelo não fica muito legal. Dá uma balançada na autoestima. A maquiagem me ajudou muito a me sentir mais bonita nos dias em que o cabelo não ajudava. Mas depois de cortar o cabelo liso e não precisar sofrer com duas texturas, tudo ficou mais fácil. A sensação era de liberdade, de empoderamento. Eu não condeno quem alisa o cabelo, nem acho que "em terra de chapinha quem tem cacho é rainha". Só me dei conta que alisar o cabelo para caber num padrão, para ser aceito, para se sentir parte da turminha bacana, não era a minha. Hoje me sinto muito mais autêntica. E se um dia resolver alisar o cabelo novamente, saberei que será só porque deu vontade de mudar de visual e não porque eu enxergo o meu cabelo natural como um defeito. 

A minha atitude de assumir o cabelo natural não me mudou só por fora, mas, principalmente, por dentro. A pauta "Beleza" cresceu no blog, porque vivenciei como era difícil passar pela transição e como tinha um monte de gente na dúvida, querendo começar esse processo. Então percebi que a "mudança de visual" apenas agregou novos interessados na Casa de Paetê. Na verdade, eu decidi que quem mudasse de comportamento - leitor ou marca - por conta de "não mais se identificar comigo", simplesmente porque tenho cabelo crespo não me interessava. E pronto! 




Que a história da Márcia tenha inspirado vocês, meus amores!
Um beijo.
Bella

Fotos: Arquivo Pessoal/Instagram

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