21 maio 2017

CARA GENTE BRANCA, VAMOS CONVERSAR?

Foto: Reprodução

Cara gente branca...
Nós não somos seus inimigos. Esse não é o ponto. Nós não queremos o seu mal, nem que você se ferre, nem que seja escravizado ou construa um país com suor e sangue. Esse não é o ponto. Nós não queremos ser melhores que vocês nem que nenhum dos seus receba um real a menos pelo trabalho que desenvolve por conta da cor de sua pele, esse também não é o ponto. O que nós queremos é que você reconheça os seus privilégios. Sim, os seus privilégios. E tente, pelo menos, entender sobre qual ótica a sociedade nos vê.
Quando falamos que o brasileiro é racista não estamos nos referindo especialmente a você, estamos falando em linhas gerais. Estamos falando de uma porcentagem grande de pessoas que ao caminhar na rua e perceberem que atrás delas caminha um homem negro vão desviar como instinto de defesa. Isso é o racismo enraizado em nosso subconsciente. Nós estamos falando de quando as pessoas sentem um cheiro ruim e automaticamente associam o fedor ao ‘cheiro de nego’. Nós estamos falando de quando entramos nas lojas e não somos tratados com dignidade pelos vendedores.

Não queremos arrancar os turbantes de suas cabeças, mas precisamos que vocês entendam que quando nós os usamos somos ridicularizados. Nós não queremos que você deixe de trançar o cabelo, mas pedimos que você perceba que o que em você é estiloso e good vibes, em nós é imundice e falta de dinheiro.

Perceba que as suas amigas negras são as últimas a namorar, perceba que quanto mais escura a cor da pele delas é, menos relações afetuosas assumidas elas têm. Não tente entender porque isso acontece, nós também não temos uma explicação.
Por favor, reconheça os seus privilégios. Atente para a história dos negros de sucesso na televisão ou à sua volta. Eles precisaram se sacrificar bem mais, batalhar bem mais do que qualquer outra pessoa. A carne mais barata do mercado continua sendo a carne negra. Olhe na sua sala da faculdade.  Quantas pessoas negras existem lá?  Nós somos minoria também nas escolas particulares, nos cargos elevados das empresas, nas cadeiras de presidência. Não, não somos menos capazes, mas antes de mostrarmos a nossa competência para o trabalho, precisamos demonstrar que ‘apesar de sermos negros’ damos conta do recado. Isso não é vitimismo, é a realidade.

Não precisamos que guerreiem as nossas guerras, mas pedimos que não nos apontem mais armas.

Saia da defensiva e ande de mãos dadas com a gente. Temos o sangue da mesma cor, respiramos o mesmo ar e vivemos no mesmo lugar, só que com dores e histórias diferentes. 

Nas imagem, Ellen Oléria, cantora brasileira da MPB

Um beijo,
Bella. 

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